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DT´s não enterram seus mortos

Dentro da categoria de educadores existe o professor de Designação Temporária, ou simplesmente o "DT". O professor DT é uma espécie de “não-ser” da educação. Governo do Estado do Espírito Santo - imoral e ilegalmente - com a cumplicidade do Sindicato (que faz vista grossa) e da Justiça (que nada vê) mantém esse tipo de contratação que possui, em seu cerne, um evidente resíduo escravocrata. Os professores DT´s representam cerca de 70% do total de professores da Rede Estadual de Ensino do Espírito Santo. Esse tipo de contratação só é permitida pela lei em casos extremos, em regime de máxima urgência e necessidade, mas o Governo do Espírito Santo faz da exceção uma norma, mesmo contrário a lei e a ética. Os professores DT´s estão sempre sujeitos à dispensa sumária e pior, sem os direitos legais estabelecidos pela Legislação Trabalhista brasileira; ou seja, o direito do DT é não ter direito. O professor DT vive sempre sobre constante pressão, sempre ameaçado por diretores, pe...

Ode à Ressignificação dos dias

Creio que agora seja mais fácil reconhecer por onde passei. Deixo marcas indeléveis dos meus afetos; rastros claros, simétricos, sólidos, incisivos. (acompanhados de uma inquietude intransferível) Minha mente tenta se expandir até o limite de uma suposta capacidade de entendimento. (as teorias do conhecimento dizem pouco a respeito da minha humanidade) Meu corpo, se contrai em resposta; rebela-se com uma invejável consistência. E mesmo diante da sua previsível ausência, clama, questiona, refuta deblatera, agoniza, chora. Está a mercê de uma memória cravada no tempo. (e de um imensurável e indelével    espaço afetivo) Me frustro ao tentar dividir a coisa física de uma imune consciência essencial. (tenho sérias dificuldades   em me equilibrar cartesianamente). Imagens superpostas se entrelaçam em meio a uma lógica pouco clara e vagamente distinta. Minhas células se entrelaçam, (teimo em acreditar em sinapses) indi...

Por que nos arrastamos em Claudia?

A morte brutal de Claudia Silva Ferreira nos arrasta para a cova rasa da mediocridade humana e da incapacidade política de resolvermos nossas mazelas sociais. Não foram apenas aqueles dois policiais que arrastaram Claudia cruelmente para a morte: foi todo um conjunto simbólico, social e político – consolidado historicamente com pedagogia e métodos elaborados - que determinou seu extermínio. O que a espetacularidade e a crueldade visível do fato desvela agora é que, neste país, quem nasce pobre e negro já se encontra no corredor da morte. É a gênese que ainda vigora na pseudodemocracia racial brasileira.   Como o de Claudia Silva Ferreira acontece - silenciosa e sorrateiramente - o extermínio de muitos outros brasileiros pobres e negros. Diariamente, comumente, cotidianamente, insistentemente, acintosamente, impunemente. O problema é que não percebemos. O problema é que este genocídio é transformado em números. O problema é que – como bem sabemos - números não tem nome nem f...

O Pequeno Casagrande

O Governador Casagrande é realmente uma pessoa pequena. Mediocridade e incompetência são adjetivos ainda fracos para caracterizar a estirpe desse facínora. Em sua insensibilidade coma vida alheia epidêmica, o intitulado Governador do ES, promoveu HOJE, com a nossa "valorosa" classe política (estavam lá, entre outros, Hartung e Magno Malta) uma reunião para "AVALIAR" os efeitos das chuvas que acontecem no nosso estado. É uma lástima, que custa esperanças e vidas,  que isso só esteja acontecendo com duas semanas de atraso, 60 mil desabrigados e 27 mortes depois do acontecido. Mesmo com os Institutos de Meteorologia tendo previsto e avisado que isto ocorreria. Temos vários bairros com pessoas ilhadas, sem água, alimento, esperança e dignidade há mais de 7 dias, pelo menos. O movimento de arrecadação e distribuição de donativos da Praça do Papa foi sumariamente fechado e existem mais de 3.000 (três mil) cestas básicas que foram levadas para o Parque de Exposição d...

O Fundamental do Natal

É Natal. Tudo normal. Olhamos a nossa falta e vemos o flagelo. Novidade obscura de tantos outras alienações que acontecem todo dia a nossa volta. Mas todo final de ano é normal. Temos o Natal. Veremos os corpos expostos na televisão. Beberemos a dor oculta da desigualdade. Seremos eternos cúmplices dos hipócritas. Durante o resto do ano trabalharemos, rezaremos, pediremos a Deus misericórdia, concórdia e uma Paz utópica que só existe no jingle forjado de final de ano. Mas é Natal. Tudo tem que ser Normal. As pessoas estão à deriva em suas casas, em seus sonhos, em suas crenças, em sua fome, em sua sede de harmonia e prosperidade. Afinal vivemos e militamos no Estado do Espírito Santo; somos Santos por natureza e leveza de Estado de Espírito. Todos nos olham, todos sempre nos olharam, todos sempre nos veneraram. Deus (Ah! O bom Deus!) sempre nos protegeu. E, afinal de contas, é Natal. Tudo deveria ser normal. Aqui não e...

Espírito Santo: Um Estado à deriva

O anti-Governador Renato Casagrande diz em suas entrevistas que a situação do Estado é “delicada”, quando todos sabemos que estamos vivendo uma tragédia de proporções descomunais, nunca vista antes. O problema é que ele não quer decretar o “ESTADO DE CALAMIDADE” temendo eventuais “repercussões negativas ” nas eleições do próximo ano. Além disso, como já não fosse pouca a sua negligência, irresponsabilidade e insensibilidade com a vida dos capixabas, ele vem “RECUSANDO” - ainda para evitar as consequências ao seu projeto de poder - a ajuda do Governo Federal, que disponibilizou a cerca de uma semana, além da Força Nacional de Segurança, todo aparato humano e logístico para atuar em situações de tragédias como a que estamos vivendo no momento. É isso que está acontecendo, somos um Estado literalmente à deriva, nas mãos políticos irresponsáveis, negligentes e que só estão preocupados com a manutenção do poder. Aliados a grande (pequena) mídia, eles vendem a ilusão que somos u...

Um estudante de gazeta

Mesmo questionando nosso modelo “educacional” , que em muitos pontos deixa muito a desejar, temos que assumi-lo como fenômeno cultural da nossa sociedade. Nesse contexto, a categoria “estudante” comporta muitas representações. Mas distinguirei aqui somente dois arquétipos, a titulo de ilustração didática. Há estudantes atentos, envolvidos, antenados, que refletem, que enxergam para além da aula e que, muitas vezes questionam e embaralham seus supostos “mestres”. Vemos também - repito: “nesse exercício ilustrativo” - que também há o seu antípoda: o estudante que não presta atenção, questiona sem embasamento e visão do contexto, faz perguntas abrangentes, equívocadas e descontextualizadas e, quando questionado de suas “certezas”, tem um estilo raivoso, autoritário e afetado emocionalmente, visando dar maior poder de intimidação a seus argumentos; e, além disso, em sua maioria, são adeptos da gazeta, ou seja, matam as aulas. Esse último arquétipo parece ser o de pertencimento do e...