Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Setembro, 2013

Ode à montanha

Sem pedir licença,
tomo de empréstimo sua concreta
beleza em essência
para transformá-la na discreta
essência de um poema.

Não é preciso muito
tempo para perceber.
Não é preciso muito
tempo para consagrar.
(Difícil é escalar essas insólitas alturas)

Há beleza em toda sua
fêmea unimultiplicidade:
menina, moça, filha, mãe,
guerreira, mulher;
em todos os tempos e sentidos,
com todas as dimensões e formas métricas,
tétricas, herméticas, védicas e assindéticas,
que em você não se perdem, transcendem.

Alterações imanentes,
revoluções permanentes de quem busca,
(com altivez, coragem e atitude)
o novo, o incerto, o desafiador,
o procriador.

Habita em suas rochosas entranhas
uma necessidade intrínseca
de ruptura e ressignificação;
um gozo supremo da alma
que se materializa
em seus vigorantes olhos,
em seus contundentes gestos,
em seus transfigurantes passos.
em seus desconcertantes braços.

Apesar de não nos tocarmos em pele,
apesar de não nos reconhecermos em tato,
nos afagamos…