quinta-feira, 17 de março de 2016

A Globo no comando do Golpe

Emito minha opinião a partir das minhas percepções, fato que todos têm o direito de fazê-lo, mas que somente é possível hoje porque lutamos, desejamos e arriscamos nossas vidas por isso: LIBERDADE e DEMOCRACIA. Vemos agora, novamente, o mesmo discurso de "patriotismo" exacerbado, que já construiu Hitler, Mussolini e, no nosso caso, a Ditadura Militar que nos vendeu aos interesses dos Estados Unidos, atitude nada patriótica na prática; mantenho a minha opinião sobre a origem fascista e retrógrada dessa onda, que clama pela volta da ditadura, pelo fim das cotas e do bolsa família, pelo ódio às ideias de Paulo Freire, etc, etc., e, sobretudo, quando vejo tipos como Bolsonaro, Feliciano, Malafaia, etc., como líderes.
Sabemos que em todos os movimentos há, de alguma forma, comandantes e comandados. Sabemos também que por trás das ideias se movem interesses não revelados que muitos não percebem; e, nessa nova onda, que se apoia no antipetismo como fundamento aparente, temos mais uma vez o comando ideológico da nefasta, golpista e fascista Rede Globo (junto das poucas famílias que detém o Sistema de Comunicação no Brasil), que elege quem são os vilões e os mocinhos da história e movimenta as massas na direção que lhe interessa. Foi assim no Golpe de 1964, foi assim na eleição e na derrubada do Collor e está sendo assim hoje. É claro que todos nós, cidadãos de bem, queremos políticos mais éticos e dignos, uma política para o bem comum, mais teremos, para isso, de fundamentalmente operar uma reforma política (além da Cultural), coisa que a Globo não tem o menor interesse, pois o negócio dela é poder e lucro (não necessariamente nesta mesma ordem), estando a serviço da concentração de renda, das grandes empresas capitalistas e dos interesses estrangeiro, além é claro do seu monopólio e enriquecimento. O velho Brizola já avisava: “A Globo é uma empresa estrangeira com sede no Brasil. ”
Como falar em combate à corrupção sem desmontar a estrutura de privilégios do Judiciário Brasileiro, com seus salários e suas "ajudas de custo" que humilham os brasileiros? Cadê a indignação com isso? Por que a Globo, via sua escrava Gazeta aqui no Espírito Santo (assim como acontece analogamente com Aécio em MG, Alckmin em SP, Richa em Curitiba, etc) nunca se indignou e denunciou os esquemas e arranjos escusos montados por Hartung? Cadê o tal “espírito de indignação” contra corrupção que ela propaga agora diariamente? Por que ela, tão preocupada com a corrupção, não se colocou contra a "doação" da Vale do Rio Doce no Governo FHC, uma falcatrua de altos favorecimentos a grupos privados e totalmente lesivo ao patrimônio público? Em outras palavras: por que ela não denuncia essa corrupção?
Esse "movimento patriota" jamais aconteceria se não fosse o sistemático apoio dessa mídia; sobretudo da Globo que é um caso único em países considerados “democráticos” de uma empresa com abrangência de praticamente 100% do território nacional, que promoveu uma verdadeira "limpeza étnica" na cultura brasileira, pois não há espaço em sua “grade” (literalmente) para as diversidades regionais. A Globo apoiando um movimento “contra a corrupção”? A Globo transmitindo ao vivo “manifestações populares”? Logo ela, a Globo, que se especializou em sonegar impostos e chantagear governos para levantar altíssimos lucros com dinheiro público?
Como disse em outras ocasiões, não estou aqui defendendo Dilma, Lula ou o PT, nunca fui filiado a partido nenhum, atuo politicamente nos movimentos sociais e nas dimensões políticas participativas de conselhos e entidades da sociedade civil; desejo e quero mesmo que todos sejam investigados, julgados e punidos exemplarmente, mas de modo igual, sem privilégios, sem distinção partidária ou ideológica, como determina o princípio de isonomia da Constituição Brasileira; mas o que temos neste momento é a mais pura hipocrisia e maniqueísmo ideológico querendo determinar "quem é corrupto" e "onde está a corrupção". O que não aceitamos é essa manipulação e esse oportunismo, e nos posicionamos contra o retrocesso das conquistas sociais que tivemos nos últimos anos, contra a destruição dos nossos direitos à democracia e à liberdade, contra o domínio de uma mentalidade fascistoide, elitista e hipócrita.
O PT falhou sim - e muito - como partido de esquerda (que já deixou de ser há muito tempo) e paga o preço merecido por não ter feito a revolução social de fato, que tornaria esse país mais avançado em termos de democracia e participação popular; por não ter feito a reforma política e a democratização dos meios de comunicação; por ter feito "acordos de governabilidade" que mantiveram a estrutura de corrupção que sempre existiu no Brasil; surfou na onda do crescimento econômico, que realmente promoveu mudanças e melhorias para uma grande parcela da população que vivia em condições miseráveis, mas, agora, com a recessão e queda econômica que diminui o "bolo" a ser dividido, não tem mais como se sustentar, pois os donos do capital, que se organizam em escala global, querem manter a concentração do poder, do lucro e da riqueza produzida, atacando sobretudo, as políticas de igualdade social, buscando manter o Brasil como foi em seu início e por quase toda sua história: uma colônia de exploração. Contra isso é que lutaremos, sem tréguas.


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A lama e o lucro

Antes dessa lama havia um rio
que era bom
que era irmão
que era Doce

Dentro desse rio
corria memória
corria sonho
corria vida

Às margens desse rio
havia história
havia gente
havia arte

E agora,
o que temos?

perdemos memória
perdemos sonho
perdemos vida

a nossa história
a nossa gente
a nossa arte

virou lama
virou lixo
virou luto

Lucro que VALE nada!

Salgado regado à lama


Diante das críticas do posicionamento de Sebastião Salgado diante da tragédia causada pela Samarco/Vale em Mariana/MG, há opiniões sustentando que estão jogando a “reputação” do fotógrafo no lixo injustamente. Aristóteles já avisava que ética não é tarefa de um dia só, mas de toda vida. Salgado construiu sua imagem de bom samaritano humanista ao fotografar refugiados, desalojados e desvalidos, provocando indignação e repulsa aos que viam seus registros.
Mas, nota-se - para quem tem olhos de ver - que sua postura é completamente diferente em relação à tragédia criminosa brasileira promovida pela ganância, irresponsabilidade e negligência da Samarco/Vale. Esta empresa, amiúde, é financiadora dos projetos do fotógrafo que - no jargão publicitário - "agregam à marca um capital ético", de responsabilidade e sustentabilidade social, coisa que vemos, agora, ser somente um engodo mesmo.
O que vemos e não poderíamos deixar de ver - já que a imagem é clara e colorida - é que Salgado possui lentes diferentes para perceber quadros semelhantes. E como, por “coincidência”, sua empresa de "recuperação ambiental" é bancada paradoxalmente por uma outra empresa que explora e destrói esse mesmo "meio ambiente", não há como separar a sua visão defensiva e complacente com a Samarco/Vale dos favores financeiros que recebe para promover e manter sua empresa de Terceiro Setor.
O problema com Sebastião Salgado, como já disse, é que ele construiu sua imagem como homem público ao revelar o sofrimento, abandono e miséria pelo mundo afora; os seres humanos retratados por ele são vítimas desse mesmo modelo de exploração colonialista e predatório que a Vale promove no Brasil e que culminou nessa tragédia. Como poderia, então, se filiar a uma empresa que gera isso que ele - tão brilhante e dedicadamente - denunciou? Como poderia, então, não se indignar diante dos miseráveis e desalojados por este crime? Como poderia, então, se posicionar tão doce e docilmente sobre esse crime descomunal? Como poderia, então, diante disso tudo, deixar ele de ser "Sebastião Salgado"?
Por isso é que não somos nós, ao criticá-lo, que estamos "jogando sua reputação no lixo": é ele mesmo que esta fazendo isso; bem hipocritamente, diga-se de passagem. Para aceitarmos, desta forma, a conduta de Salgado e defendê-lo dos ataques à sua "reputação" teríamos que ser, considero, no mínimo ingênuos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O que nos ensinam os Brincantes?


(Texto Concebido para a Mostra Fotográfica comemorativa dos 10 anos do Projeto Entre Comunidades - PROEX/UFES)


Contrapondo-se à dinâmica objetivista - do pensamento de sobrevoo ditado pelas pesquisas - o Projeto Entre Comunidades busca interagir, ser perpassado pelas dimensões humanas do fazer coletivo e, a partir desse entrelaçamento constitutivo, desenvolver e promover ações de Empoderamento e Reconhecimento. O que veremos nesta exposição fotográfica comemorativa de 10 anos do Projeto - trazidas por esse movimento de compartilhamento recíproco - são imagens de dimensões simbólicas sagradas, de pessoas que resistem e lutam para defender e expressar sua humanidade, mesmo diante da monstruosidade pasteurizadora da cultura midiática e, na maioria das vezes, da indiferença e do descaso oficial.

As heranças culturais aqui captadas identificam, em sua diversidade, o modo de ser dos capixabas; os gestos, olhares, ritmos, suores e cores são elementos de linguagem, de visões de mundo, de presentificação do humano, de consagração da vida e de afirmação de valores éticos; pela riqueza significativa, importância histórica e dimensão autoafirmativa dessas comunidades, transcendem  para além da perspectiva estética e constituem em vigorosas expressões de uma luta política: busca constante do humano por demarcação e reafirmação do seu espaço e tempo significativo. A Cultura Popular, ao contrário do que determina a ideologia dominante,  não é o eco de um passado em ruínas; pois, na verdade, a ruína para o homem é não lutar por ser o que é, é ter vergonha de sua história, é perder seu modo de ser, é se desvincular de suas raízes culturais. É também isso que, de modo criativo e  inventivo, a pedagogia corpórea desses homens brincantes vêm nos ensinar. Aquele que porta um tambor, uma casaca, um pandeiro, que dança, que entoa cânticos, que prepara sua roupa colorida e que em seu brincar sagrado humanamente se realiza, ensina muito mais de ética que em toda as teorias vigentes. Aqui vemos explicitado o que radicalmente fundamenta a ética: zelo, respeito, compromisso, responsabilidade.

A lembrança dos antepassados, a história de vida da ocupação coletiva simbólica, não está sendo perdida, não está sendo esquecida, não está saindo da memória. Por isso a necessidade extrema de se “co-memorar”: fazer/refazer memória; por isso a necessidade extrema de se brincar e festejar; por isso a necessidade extrema de se consagrar a vida e seus valores significativos; por isso a necessidade extrema de ser respeitado, não por algum sentimento de dádiva ou filantropia, mas porque esses brincantes - além de nos manter vivos enquanto coletividade histórica - nos ensinam o que é, em sua máxima expressão e aparecimento, o fenômeno de “Ser Humano”.




quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Pequena tese para um dilúvio amoroso


ela diz
que o que
eu sinto é
exagero,
transbordo,
excesso.

mas será que se pode dizer
que há excesso no amor?

ou será que ele é
apenas isso mesmo
que quando é
não deixa de ser,
que quando chega
não deixa esquecer?

quinta-feira, 18 de junho de 2015

As inflexões sobre o "Vir-a-Ser"

Um dos sentidos possíveis para a palavra grega aisthesis (estética) seria inspirar, trazer o mundo para dentro, senti-lo, revolvê-lo ou, até mesmo, comê-lo; como fazia Cronos com seus filhos, tentando evitar uma possível ameaça futura. E parece ser esse o espírito movente da exposição “Vir-a-Ser” de Ana Lúcia Gonçalves. Através da arte busca-se sempre, de alguma forma, um desvelamento do seu tempo/espaço vivente; tenta-se dissolver a concretude emoldurada do real e remontar, em sua plasticidade residual, uma estrutura significante. Mas ao tentar compreender - e dar sentido efetivo as suas vivências – depara-se com seus próprios dilemas, angústias, zelos, desvelos…

Nesse esforço de (re)constituir-se ela, como artista, tem que inexoravelmente debruçar-se sobre o emaranhado novelo de dúvidas, perdas, contradições inerentes ao próprio processo de viver; becos e vielas - linhos e desalinhos existenciais. Inspirar de novo seu próprio mundo, degustar poeticamente suas crias, reassumir com coragem seu próprio, reconduzir com ternura seus propósitos, dilacerar – em sua fantasmagoria estética – os compostos condicionantes do mundo em sua própria carne. Sim, porque é no seu corpo que está escrito o seu tempo; e é também com o seu corpo - em seu movimento de doação e devoção à arte – que há uma ocupação significativa do seu espaço/mundo; arte/artista se perfazem em relação mútua na mesma dimensão; não há onde se colocar, nessa dimensão, a dicotomia sujeito/objeto cartesiana. Por isso temos aqui corpos presentes; corpos não como máquinas, mais mitologicamente constituídos; corpos em diversas nuances e visadas; corpos como “inspirações” flutuantes que buscam se concretizar afetivamente: vir existencialmente à tona.

Assim, como nas projeções de uma maternidade precoce, a sua arte transcende - envolta em um estorvo de rara e singela humanidade - para além da técnica, do criticismo e do hermetismo conceitual. Surge, então, dos emaranhados de fios, das perfurantes agulhas, da acidez das tintas, da receptividade do tecido e da persistência insólita da cera, os signos de sua luta, os resíduos de suas angústias, os sonhos de sua vida, os indícios do seu “Vir-a-Ser”.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Solipsismo Pluvial

Chove torrencialmente:
oração sem sujeito!

Será que ele perdeu a fé
depois de desaguar,
por tanto tempo,
em si mesmo?